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Como a Euribor mais alta afeta os novos empréstimos pessoais em Portugal?

Descubra como a Euribor mais alta está a encarecer os novos empréstimos pessoais em Portugal e saiba como isso afeta as taxas.

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(Imagem: divulgação/reprodução do Google Imagens)

Nos últimos anos, a Euribor tem voltado a subir e, com isso, muitos consumidores portugueses começaram a sentir o impacto direto no custo do crédito.

Embora a Euribor seja mais conhecida pela sua influência nos créditos à habitação, a verdade é que ela também afeta, de forma mais indireta, mas ainda significativa, os novos empréstimos pessoais.

Entender essa relação é essencial para quem planeia financiar projetos, consolidar dívidas ou simplesmente garantir maior controlo financeiro antes de assumir um compromisso de longo prazo.

O que é a Euribor e por que ela influencia o crédito?

A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa média aplicada nos empréstimos entre bancos da zona euro.

Na prática, ela funciona como uma referência fundamental para o custo do dinheiro no mercado europeu. Quando sobe, significa que o dinheiro está mais caro para as instituições financeiras; quando desce, fica mais barato.

Essa variação não fica apenas entre os bancos. As instituições de crédito utilizam a Euribor para definir os custos de financiamento de diversos produtos financeiros, sobretudo nos empréstimos de taxa variável.

Apesar dos empréstimos pessoais em Portugal serem, na maior parte dos casos, de taxa fixa, a subida da Euribor afeta o crédito de forma indireta, influenciando as decisões dos bancos.

Como a Euribor mais alta mexe nos juros dos novos empréstimos pessoais?

Mesmo sem estar diretamente indexados à Euribor, os empréstimos pessoais são calculados com base no contexto macroeconómico do país e da zona euro.

Quando a Euribor sobe, os bancos enfrentam custos superiores para obter liquidez, o que os motiva a ajustar as taxas praticadas ao cliente final.

1. Taxas de juro mais elevadas para novos pedidos

Com a Euribor em alta, os bancos tornam-se mais conservadores na concessão de crédito.

Para garantir a sua margem e reduzir o risco, as instituições aumentam a TAEG e a TAN dos novos empréstimos pessoais.

Ou seja, o consumidor acaba por pagar mais pelo mesmo montante que, meses antes, podia ser financiado a um custo menor.

2. Menor capacidade de negociação

Em períodos de Euribor baixa, muitos bancos oferecem condições promocionais: reduções na TAN, prazos mais flexíveis ou até campanhas sazonais.

Com o mercado de crédito mais caro, esse espaço de negociação diminui significativamente. O cliente encontra menos ofertas competitivas e maior rigidez na avaliação de risco.

3. Aprovação mais exigente

O cenário de taxa alta leva as instituições a avaliar com mais rigor a taxa de esforço, os rendimentos e o histórico financeiro do candidato.

Isto pode resultar em mais reprovações de crédito ou em valores aprovados mais baixos.

4. Impacto no custo total do crédito

Não se trata apenas de pagar mais por mês. Juros mais altos aumentam o custo total do empréstimo, que inclui juros, comissões, seguros e impostos.

Portanto, um empréstimo que parecia acessível pode tornar-se mais caro e prolongar as obrigações financeiras do consumidor.

Por que os bancos reagem assim?

A resposta está na lógica do risco. Quando a Euribor sobe, significa que o ambiente económico está a atravessar maior incerteza ou que o Banco Central Europeu está a tentar controlar a inflação. Em ambos os casos, os bancos enfrentam:

  • maior custo de captação de recursos;
  • maior risco de incumprimento;
  • necessidade de proteger a sua margem financeira.

Como resultado, ajustam os preços dos seus produtos, incluindo o crédito pessoal, para manter a sustentabilidade das operações.

Como os consumidores podem proteger-se desta subida?

Apesar de o contexto ser desafiador, quem precisa de fazer um empréstimo pessoal ainda pode adotar algumas estratégias.

Comparar ofertas de diferentes bancos

Com a Euribor alta, as diferenças entre instituições aumentam. Há bancos mais agressivos comercialmente e outros mais conservadores.

Comparar TAEG, TAN, prazos e condições pode gerar uma poupança significativa.

Negociar prazos mais curtos

Prazos longos aumentam o custo total, especialmente quando as taxas estão altas. Sempre que possível, optar por prazos menores é vantajoso.

Evitar crédito desnecessário

Momentos de juros elevados exigem mais cautela. Antes de pedir um empréstimo, perguntar: “É realmente necessário agora?” pode evitar endividamento extra.

Reforçar o score de crédito

Quanto melhor o histórico financeiro do consumidor, maior a probabilidade de conseguir condições mais favoráveis mesmo num cenário de Euribor alta.

Conclusão

A subida da Euribor afeta diretamente o mercado financeiro e, embora o impacto seja mais evidente no crédito habitação, os empréstimos pessoais também acabam por sofrer.

Com juros mais altos, maior rigor na análise e menos margem de negociação, o consumidor precisa de estar ainda mais atento.

Comparar, planear e evitar decisões impulsivas torna-se essencial para manter a saúde financeira num cenário de incerteza económica.

Juliana R
Escrito por

Juliana R